Expectativa anterior, divulgada em março, era de estabilidade
O Banco
Central (BC) revisou sua projeção para a economia brasileira em 2020
e passou a projetar uma retração de 6,4%
no Produto Interno Bruto (PIB). A previsão consta no relatório de
inflação, divulgado nesta quinta-feira (25).
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estimativa é de uma queda
de 7,4% no consumo das famílias e de 13,8% nos investimentos
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A
expectativa anterior da instituição, divulgada em março deste ano, era de estabilidade
no nível de atividade, ou seja, sem alta nem queda do nível de
atividade.
O PIB
é a soma de todos os bens e serviços feitos no país, independentemente da
nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o comportamento da economia
brasileira.
A
revisão da estimativa decorre dos impactos da pandemia
do coronavírus, que têm interrompido a atividade econômica ao redor
do mundo e aumentado o desemprego.
"A
projeção para o PIB anual considera que o recuo no segundo trimestre será o
maior observado desde 1996, início do atual Sistema de Contas Nacionais
Trimestrais [do IBGE]", informou o Banco Central.
A
instituição acrescentou que esperar que essa contração do PIB no segundo
trimestre deste ano "seja seguida de recuperação gradual nos dois últimos
trimestres do ano, repercutindo diminuição paulatina e heterogênea do
distanciamento social e de seus efeitos econômicos".
Ao
detalhar os componentes da estimativa para o PIB de 2020, o BC estimou
crescimento de 1,2% da agropecuária, retração de 8,5% no nível de atividade da
indústria e recuo de 5,3% no setor de serviços (com o comércio registrando uma
contração de 10,8%).
Pelo
lado da demanda, a estimativa é de uma queda
de 7,4% no consumo das famílias e de 13,8% nos investimentos (formação
bruta de capital fixo).
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Para o mercado financeiro, o PIB terá
uma contração
de 6,50% neste ano
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O Banco Mundial prevê uma queda
de 8% no PIB brasileiro em 2020
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O Fundo Monetário Internacional
estima uma
contração de 9,1% para a economia brasileira
Em
2019, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
o PIB cresceu
1,1%. Foi o desempenho mais fraco em três anos. Nos três primeiros
meses de 2020, foi registrada uma retração
de 1,5% na economia brasileira.
Inflação e taxa de juros
O BC
também informou que a sua estimativa de inflação para 2020, medida pelo Índice
Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), recuou de 2,6% (em março deste
ano) para 2,4%.
Essa
previsão considera a trajetória estimada pelo mercado financeiro para a taxa de
juros e de câmbio neste ano e no próximo.
Em
outro cenário, que considera taxa de juros (Selic) e câmbio estáveis, por sua
vez, a previsão do Banco Central para a inflação oficial deste ano recuou de 3%
para 1,9%.
As
previsões estão abaixo das metas de inflação. Neste ano, a meta central de
inflação é de 4% e terá sido oficialmente cumprida se o IPCA oscilar de 2,5% a
5,5%.
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Quando as estimativas para a inflação
estão em linha ou abaixo das as metas, o BC pode reduzir os juros.
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Quando previsões estão acima da
trajetória esperada, a taxa Selic é elevada.
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Se a meta não é cumprida, o BC tem de
escrever uma carta pública explicando as razões.
O
mercado prevê que a inflação oficial fique
em 1,60% este ano e em 3% em 2021.
Para
2021 e 2022, no cenário de mercado (Selic e câmbio projetados pelos bancos), o
Banco Central projetou uma inflação de 3,2% nos dois anos. Em março, no
relatório de inflação anterior, as duas projeções estavam em 3,2% e 3,3%,
respectivamente.
Sobre
a taxa básica de juros, que está na mínima
histórica de 2,25% ao ano, o BC informou que o "espaço
remanescente para a utilização de política monetária [novo corte nos juros] é
incerto e deve ser pequeno".
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